Hungria vê refugiados como ameaça às “raizes cristãs” da Europa

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O primeiro-ministro considera que a proteção de fronteiras é essencial para que só depois se possa refletir nos sistemas de quotas e "no número de pessoas que podemos acolher".

O primeiro-ministro húngaro considera que o fluxo de refugiados coloca em risco as raízes do Velho Continente e apela aos governos que controlem as fronteiras antes de decidirem a quantos pedidos de asilo devem responder. Viktor Orban aponta o dedo a Angela Merkel e diz que o fluxo de migrantes é “um problema da Alemanha”.

Num artigo de opinião publicado no jornal alemão Frankfurt Allgemeine Zeitung, Viktor Orban, considera que os Executivos europeus estão a agir contra a vontade dos seus povos: “as pessoas querem que controlemos a situação e que consigamos proteger as nossas fronteiras”.

O primeiro-ministro considera que a proteção de fronteiras é essencial para que só depois se possa refletir nos sistemas de quotas e “no número de pessoas que podemos acolher”.

Orban fala de uma “invasão” de refugiados, sobretudo muçulmanos. Situação que preocupa o governante, até porque, defende, “a Europa e a cultura europeia têm raízes cristas” e é “alarmante” o facto de os povos europeus não conseguirem “defender os próprios valores cristãos” acrescenta.

“O problema não é europeu, mas sim alemão”

A Hungria é um dos principais pontos de passagem entre os Balcãs e a Europa Ocidental, um ponto nevrálgico para migrantes e refugiados que aspiram à entrada no espaço Schengen e a um bilhete de comboio com a Áustria ou a Alemanha como destino. Por isso mesmo, Orban reitera que os migrantes e refugiados em transição pelas fronteiras europeias não procuram asilo na Hungria e “são problema da Alemanha”.

Em conferência de imprensa esta manhã com o presidente do Parlamento Europeu, Martin Shulz, Viktor Orban considerou que “ninguém quer ficar na Hungria, Eslováquia , Estónia, Polónia. Todos (os migrantes) pretendem ir para a Alemanha”.

Para controlar o território, o parlamento húngaro aprovou em junho a construção de um muro de 175 quilómetros na fronteira com a Sérvia.

Só durante o mês de agosto, as autoridades de Budapeste registaram a entrada de pelo menos 50 mil migrantes em território húngaro.

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