As crianças que vivem sob o regime do grupo terrorista Estado Islâmico (EI), no Iraque, estão sendo ensinadas a desenvolver bombas e decapitar pessoas. As famílias que fugiram dos jihadistas relataram o cenário de doutrinação em relação aos pequenos.

Um pai, Hamid, disse à ONG “Save the Children” (Salvem as crianças, em tradução livre) que havia uma televisão no jardim de uma escola local, usada por militantes, onde eles estavam mostrando uma propaganda: “Como matar, como fazer bombas suicidas e como cortar cabeças”.

“Minhas filhas não estão mais indo para a escola”, disse Hamid. Muitos outros pais tentaram manter seus filhos em casa. “Nós estamos explicando aos nossos filhos que eles não devem acreditar nessas propagandas. Estamos guiando nossos filhos para que eles não acreditem em tudo o que lhes for ensinado”, disse ele.

Iraque: Estado Islâmico usa milhares de pessoas como escudos humanos

Membro do Estado Islâmico executa própria mãe

Garota cristã que fugiu do Estado Islâmico emociona jurados do The Voice Kids; assista

Hamid e sua família fugiram dos subúrbios de Mosul e agora estão vivendo no campo iraquiano de Jad’ah, ao sul de Qayyarah.

Cerca de 34 mil pessoas foram deslocadas e centenas de milhares estão tentando fugir da violência. Karim, um outro pai que também mora no acampamento, disse que conheceu crianças que disseram que foram levadas pelo EI para um acampamento de 40 dias, onde foram ensinadas que era permitido matar soldados.

“Eles costumavam levar cerca de 50 a 100 crianças para os programas de treinamento. Muitas crianças obedeceram ao EI e depois foram mortas na luta”, disse ele. Karim manteve seus filhos longe da escola para que eles não fossem influenciados pelos militantes.

“É difícil para minhas meninas, elas estavam muito assustadas, chorando o tempo todo, tremendo”, lembrou. “Quero que meus filhos se eduquem e consigam um emprego. O mais importante para eles é ler e escrever”, ressaltou.

A ONG “Save the Children” disse no domingo que mais de um milhão de crianças foram forçadas a aprender doutrinações do Estado Islâmico, no Iraque. Algumas dessas crianças tiveram influências de violência brutal por mais de dois anos.

A organização ainda construiu salas de aula temporárias no campo de Jad’ah para ajuda-las a retomarem suas aulas. “As crianças inocentes nunca devem ser expostas a este tipo de instrução na escola. É importante que elas possam retornar a um ambiente escolar seguro e positivo. Isso é fundamental para iniciar o processo de recuperação e dar-lhes esperança para o futuro”, disse Maurizio Crivellaro, diretor escolar no Iraque.

“Antes mesmo de instalarmos as salas de aula, as crianças já estavam se reunindo lá fora e espiando, a julgar pelos grandes sorrisos em seus rostos. Eles sabiam que era assim que a escola deveria ser e estavam ansiosos para voltar ao normal. Os pais nos dizem que, em tempos de crise, a educação é a prioridade. Eles nos dizem que a educação é a chave do futuro e não pode ser adiado, pois essas crianças perderam bastante da infância”, finalizou.

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui