Igreja, um lugar em transformação

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Efésios 4.7-13; 5.27 – Há alguns dias eu estive folheando as “Institutas da Religião Cristã”, um livro escrito por João Calvino no século dezesseis. João Calvino alertava os cristãos sobre alguns ensinamentos errados que existiam dentro da igreja do seu tempo. Naquela época, havia algumas pessoas imaginando que a igreja era um lugar formado por homens e mulheres perfeitos; gente pensando que o pecado não existia dentro da igreja, que os cristãos jamais erravam, que a santidade era plena em todos os crentes, que todos os cristãos já estavam completos e coisas do tipo.

Esse tipo de pensamento, que existia no século XVI, de alguma maneira continua existindo nos dias de hoje. Há muitos crentes imaginando que a igreja é um lugar perfeito, formado por pessoas perfeitas. Ignoram o fato de que a igreja é um lugar em transformação, constituída por pecadores que estão sendo, dia após dia, santificados pelo Espírito Santo, purificados pelo lavar da água mediante a Palavra, expressando os seus dons e ministérios específicos a fim de que sejam apresentados diante de Deus sem mancha nem ruga.

O apóstolo Paulo, escrevendo a sua carta aos Efésios, comentou sobre isso: “E a cada um de nós foi concedida a graça, conforme a medida repartida por Cristo. Por isso é que foi dito: Quando ele subiu em triunfo às alturas, levou cativos muitos prisioneiros, e deu dons aos homens. (Que significa “ele subiu”, senão que também havia descido às profundezas da terra? Aquele que desceu é o mesmo que subiu acima de todos os céus, a fim de encher todas as coisas.) E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo.” (Efésios 4.7-13)

Segundo Paulo, a igreja é uma comunidade dinâmica, em transformação. O corpo de Cristo ainda está sendo edificado (Efésios 4.12). Por isso, todos nós precisamos ser suporte uns para os outros, ajudar e respeitar uns aos outros. Jamais devemos ser impacientes com o outro que tem um ministério diferente do nosso ou não tem tanto conhecimento como nós. Antes, devemos ser suporte para todas as pessoas até que todos cheguemos à maturidade.

A Igreja é uma comunidade com dons diferentes

As pessoas, por causa da natureza pecaminosa, ainda têm a tendência de serem desequilibradas, ou melhor, de caminhar pelos extremos. Tal situação também acontece dentro da igreja. O cristão costuma imaginar que os dons ou ministérios que possui são sempre os mais importantes – por exemplo, se ele tem o ministério pastoral, ele imagina que todas as pessoas devem possuir esse mesmo ministério. Ele conclama as pessoas a atuarem da maneira como ele atua e, inconscientemente, produz uma situação de desequilíbrio dentro da igreja. Se todos forem pastores, onde estarão os evangelistas, os mestres? Se todos exercerem apenas um único dom ou ministério, onde estará o equilíbrio?

Quando escreve a sua carta à igreja de Éfeso, Paulo tem por objetivo chamar os cristãos ao equilíbrio. Ele mostra que a igreja está em transformação. Ela é dinâmica e, por isso, possui vários dons e ministérios diferentes. Na verdade, escreve Paulo: “Quando ele [Cristo] subiu em triunfo às alturas, levou cativos muitos prisioneiros, e deu dons aos homens […]. E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres.” (Efésios 4.8,11)

Os dons e ministérios existem porque a igreja ainda não é perfeita. Eles existem para que a igreja seja edificada com equilíbrio, desenvolvendo todos os ministérios Cada um dos dons e ministérios são necessários para o crescimento e saúde da igreja. Portanto, os cristãos devem aprender a respeitarem-se mutuamente. Dessa maneira, enquanto cada um desenvolve o seu ministério e dom determinado, a igreja em transformação caminha para a maturidade.

A Igreja é uma comunidade com pessoas diferentes

Contudo, também devemos ser suporte uns para os outros, porque a igreja é uma comunidade com pessoas diferentes. Da mesma maneira como existem dons e ministérios diferentes, existem pessoas diferentes dentro da igreja. Tal fato é simples de ser verificado até mesmo no nosso mundo natural. Basta observarmos uma família formada por um casal e quatro filhos gêmeos. Apesar dos quatro filhos possuírem o mesmo DNA, eles são completamente diferentes entre si, com gostos, aptidões, temperamentos e capacidade intelectual diferentes.

A realidade dessa família é também a realidade da igreja: as pessoas, apesar de terem nascido de novo, são diferentes: umas têm maior fé, outras têm menor conhecimento e ainda outras têm mais tempo de caminhada cristã. Paulo escreve sobre isso ao mostrar que Jesus deu os dons e ministérios à igreja “com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo.” (Efésios 4.12-13)

O propósito de Deus é que haja “a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus”. Porém, dentro da igreja isso ainda não existe. Há graus diferentes de fé e de conhecimento do Filho de Deus. Há pessoas que possuem uma compreensão mais profunda disso, e elas jamais devem desprezar outros cristãos. Ninguém deve ser rejeitado, menosprezado ou ridicularizado dentro da igreja por possuir uma compreensão mais rasa da fé e do conhecimento de Cristo.

Da mesma maneira, há dentro da igreja pessoas mais e menos maduras. Há cristãos com anos de caminhada cristã e outros que estão começando a sua carreira com Cristo. De fato, o propósito de Deus é que toda a igreja seja madura. Contudo, a igreja ainda está caminhando rumo a essa maturidade. Por isso, cada cristão deve ser suporte para o outro, entendendo que há diferenças entre pessoas dentro da igreja. Você não deve rejeitar ninguém por saber menos que você ou por não viver da maneira como você vive a vida cristã. Antes, você deve ser um suporte para o outro. A igreja está sendo edificada. Ela está em transformação. E à medida que cada pessoa cumprir o seu chamado dentro do corpo, a igreja irá caminhar para a maturidade.

Conclusão

A igreja está caminhando para ser apresentada a Cristo “como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável.” (Efésios 5.27) Por isso, você deve aprender a respeitar e a honrar o seu irmão, apesar dele ser diferente de você em alguns aspectos. As diferenças são um sinal claro de que a igreja é uma comunidade dinâmica; ela está em transformação. Todos nós, que somos a igreja, estamos sendo transformados dia após dia. Não somos perfeitos. Não fomos transformados em anjos. Você precisa do outro. Portanto, que você e cada um de nós aprendamos a ser suporte para o outro. Somente desta maneira vamos atingir a medida da plenitude de Cristo.

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