Polyanna Spínola Dias: O novo

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o-novo-pollydsdEstava vendo um filme infantil chamado “The Croods”, muito engraçado, por sinal. Uma família da idade da Pedra mora em uma caverna e sai muito esporadicamente porque precisa comer. São os únicos sobreviventes na região. Pelo menos é o que acham. Um dia a filha mais velha, e mais destemida também, resolve arriscar e quebrar uma regra familiar: a de que ninguém pode sair daquela gruta sozinho, muito menos à noite e sem que seja para se alimentar. Então, a jovem foge em busca do novo e acaba correndo um sério risco. Mas ela descobre a existência de mais uma pessoa no local e passa a experimentar as maiores aventuras de sua vida: novidades. Tentando “salvá-la” toda a família acaba se aventurando a sair do “lugar seguro”, mas um acidente destrói a caverna e os deixa sem teto. E agora, como encarar o novo? Tudo o que seu pai tanto teme, ela decide fazer. Muito contente em tomar ciência do novo, leva toda a família a viver o mesmo.

Este filme me fez refletir sobre lições muito práticas. Tudo na vida é um grande aprendizado, afinal só a vivemos uma única vez. Nada é igual, por mais que seja parecido. Então, é natural, que o desconhecido gere apreensão. Muitos chegam a rejeitar o novo, como este pai do filme que tinha como discurso a seguinte frase: “O medo nos protege”. Até certo ponto sim, pois com medo de ser atropelado ninguém atravessa a rua sem ter a certeza de que nenhum carro vai passar naquele instante.

Somos criados com hábitos, costumes e regras diferentes passados de geração a geração. Mas não podemos nos limitar a estas regras e tradições. Tem horas que só experimentaremos o novo se arriscarmos. Voar para o amanhã, o lugar com mais sol no céu do que se imaginar, é um desafio aceito apenas por quem tem coragem.

E tem horas que é preciso mesmo arriscar.

Eu li em um livro o que transcreverei a seguir: “Os alpinistas que foram escalar o pico do Monte Everest, o mais alto do mundo foram pegos de surpresa quando uma forte neblina cobriu a todos da expedição. Com medo de pisarem em falso e caírem – o que poderia causar a morte de todos – não deram nem mais um passo e, abraçados por causa do frio, morreram, pois a neblina custou a passar. Alguns dias depois, a equipe de resgate transportou os corpos para o pé da montanha e, junto com a equipe de meteorologia, constataram que, se eles tivessem dado um passo sequer, teriam saído da neblina e encontrado o caminho de casa, salvando suas vidas. Moral da história: às vezes, por medo de darmos um passo, que pensamos representar a nossa morte, perdemos, justamente, o passo que falta para encontrarmos o caminho do sucesso.”

E então? O melhor é ficar no que é seguro e não arriscar nada, ou pedir a Deus uma direção e ousar sair da comodidade e ir para o novo?

No final do filme, o inesperado acontece. Mas se você quiser saber é só alugar.

Polyanna Spínola Dias – Colunista do Ponto das Igrejas – Quinta-feira

Jornalista

polyannaspinola@gmail.com

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