Um amor inesperado

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6dez2013-pessoas-se-abracam-em-frente-a-casa-de-nelson-mandela-em-johannesburgo-na-africa-do-sul-nesta-sexta-feira-6-1386345684728_747x1024Semana passada tive uma experiência impactante. Ao me dirigir a uma delegacia de polícia e permanecer na fila de espera para efetuar a minha queixa por algumas horas, me deparei com uma situação que tocou fundo no meu coração, mexeu muito comigo. Talvez porque muitas vezes vivemos no nosso mundo protegido, numa rotina calculada, indo de casa para o trabalho, de casa para a igreja e, não tomamos conhecimento, ou não queremos enxergar que, bem perto de nós, existe uma outra realidade.

Enquanto eu estava sentada esperando a minha vez de ser atendida, haviam muitos policiais militares entrando e saindo de uma sala no interior da delegacia. Lá dentro tinha uma jovem sendo interrogada por eles. Ela tinha sido pega com um celular roubado.

Lá fora, a família estava aflita, entrava e saia da delegacia. Algumas vezes era requisitado pelos policiais um documento ou outro referente a jovem, que foi levada pelos policiais para a Cidade da Polícia, sem que a família percebesse.

A irmã dela sentou ao meu lado e comecei a conversar com ela. A moça chorava e dizia que os policiais iam ver as fotos  das festas e das armas no celular, e aí mesmo que iam achar que a jovem, de apenas 19 anos era culpada de algum crime.

Conforme aquela moça ia se abrindo e chorando, meu coração ia se enchendo de compaixão pela família e por ela, pelos jovens que estão perdidos nas drogas e no crime, e em todo tipo de pecado nas mais diversas áreas. Creio que aquele amor que brotou em meu coração naquele momento, foi um pouco como o amor de Jesus quando disse aos fariseus: ”Aquele que não tem pecado, atire a primeira pedra.” (João 8,7) e quando Ele disse àquela mulher pega em flagrante adultério: ”Vá e não peques mais.” (João 8,11)

Não pude conter as lágrimas. Meu coração doeu. Falei do amor de Jesus para aquela moça, a irmã da jovem que foi detida, e depois ela foi embora. Aparentemente aquelas palavras tocaram o coração dela, não as minhas, mas as do Espírito Santo.

Após a sua saída, as pessoas que aguardavam atendimento junto comigo, começaram a condenar aquela menina. Digo menina pois tenho um filho da mesma idade que é, para mim, um menino. Eu me coloquei no lugar dos familiares que estavam ali, como se aquela jovem fosse minha filha.

Creio que isso faz parte do que Jesus chamou de “amar ao próximo como a si mesmo.” Acredito que, quando nos colocamos no lugar do outro, damos lugar à compaixão ao invés de dar lugar à acusação, damos lugar ao amor ao invés de ficarmos julgando.

É muito provável que aquela menina estivesse mesmo envolvida em coisas erradas, mas Jesus não me mandou julgá-la, mas sim amá-la. E é tão humano ficar julgando, e apontando o dedo, mas a Palavra de Deus em Tiago 4,12: ”Há um só legislador e juiz, aquele que pode salvar e destruir;tu ,porém,quem és que julgas ao próximo?”

Não temos sido chamados para julgar e sim para amar, para sermos embaixadores de Cristo nessa terra. Então, vamos cumprir o nosso chamado e exalar o bom perfume de Cristo  que é o amor.

Andréa King- Colunista do Ponto das Igrejas